Introdução
Em uma indústria, fabricar um produto envolve muito mais do que transformar uma matéria-prima em um item acabado. Dependendo do processo produtivo, podem existir diferentes componentes, insumos, subconjuntos, etapas de fabricação, unidades de medida e quantidades de consumo que precisam ser corretamente definidos antes mesmo de uma ordem de produção ser iniciada. Nesse cenário, as fichas técnicas e as estruturas de produtos tornam-se fundamentais para organizar as informações utilizadas durante a fabricação.
A ficha técnica funciona como uma referência para determinar quais materiais fazem parte de determinado produto e em quais quantidades eles devem ser utilizados. Já a estrutura de produtos permite organizar a relação existente entre o item acabado, seus componentes, possíveis subconjuntos e matérias-primas. Quanto mais complexa for a fabricação, maior tende a ser a importância de manter essas informações padronizadas e atualizadas.
Quando esse controle é realizado apenas em planilhas, documentos separados ou anotações manuais, a indústria pode encontrar dificuldades para manter os dados sincronizados. Uma alteração na composição de um produto, por exemplo, pode ser registrada em uma planilha e não ser atualizada no controle de estoque ou no planejamento das compras.
Como consequência, podem surgir problemas como consumo incorreto de materiais, divergências entre estoque físico e registrado, custos de fabricação calculados de maneira imprecisa, compras desnecessárias e falta de componentes no momento em que uma ordem precisa entrar em produção.
Outro problema ocorre quando os colaboradores trabalham com versões diferentes da mesma ficha técnica. Enquanto um setor considera determinada quantidade de matéria-prima, outro pode utilizar uma informação antiga. Esse tipo de divergência interfere diretamente na padronização da produção e dificulta a identificação das causas de desperdícios ou variações de consumo.
O ERP para Indústrias ajuda a centralizar essas informações em um mesmo ambiente, permitindo relacionar produtos, matérias-primas, estruturas, estoque, compras, custos e produção. Dessa maneira, os dados cadastrados deixam de servir apenas como registros isolados e passam a contribuir para diferentes etapas da operação industrial.
Ao utilizar uma estrutura corretamente cadastrada, por exemplo, a empresa consegue saber quais materiais serão necessários para produzir determinada quantidade de produtos. Também pode comparar essa necessidade com os saldos disponíveis em estoque, identificar possíveis faltas e organizar melhor a preparação dos materiais para a produção.
Ao longo deste conteúdo, veremos de maneira prática como funcionam as fichas técnicas, como estruturar produtos, quais informações precisam ser cadastradas e como esses dados podem ser utilizados dentro da rotina de uma indústria.
O que são fichas técnicas na indústria e para que servem?
As fichas técnicas são utilizadas para organizar informações essenciais sobre a fabricação de um produto. Elas funcionam como uma referência para que a indústria saiba quais materiais fazem parte de determinado item, em quais quantidades devem ser utilizados e quais critérios precisam ser considerados durante a produção.
Em empresas que trabalham com vários produtos, matérias-primas ou variações de composição, esse cadastro se torna ainda mais importante. Sem uma ficha padronizada, cada ordem de produção pode utilizar quantidades diferentes ou informações provenientes de controles distintos, dificultando a manutenção de um padrão produtivo.
Quando integrada ao ERP para Indústrias, a ficha técnica também pode servir de base para outros controles, como cálculo da necessidade de materiais, movimentações de estoque, custos e planejamento da produção.
O que é uma ficha técnica de produto?
A ficha técnica de produto é um cadastro que reúne os elementos necessários para fabricar determinado item. Ela pode indicar quais matérias-primas e componentes fazem parte da composição, quanto de cada material deve ser utilizado e quais parâmetros precisam ser observados durante a fabricação.
Considere uma indústria que fabrica mesas. Para produzir um modelo específico, podem ser necessárias peças de madeira, parafusos, suportes metálicos, cola e acabamento. A ficha técnica registra esses itens e suas respectivas quantidades.
Assim, sempre que houver necessidade de produzir esse modelo, a equipe terá uma referência padronizada para identificar os materiais previstos.
A ficha também pode ser utilizada como base para comparar o consumo planejado com aquilo que realmente aconteceu durante a fabricação. Se a quantidade utilizada for constantemente superior ao previsto, a empresa poderá investigar causas como perdas, desperdícios, problemas de qualidade ou uma ficha desatualizada.
Quais informações podem fazer parte da ficha técnica?
O nível de detalhamento depende das características da indústria e do produto fabricado. No entanto, algumas informações são recorrentes.
O código do produto permite identificar o item de maneira única dentro do cadastro. Esse código ajuda a evitar confusões entre produtos semelhantes e facilita consultas realizadas por diferentes setores.
A descrição complementa essa identificação, indicando nome, modelo, variação ou outras características relevantes.
Também devem ser relacionados os materiais que fazem parte da fabricação, incluindo matérias-primas e componentes utilizados direta ou indiretamente na composição.
A unidade de medida precisa ser definida com atenção. Um material pode ser controlado em quilogramas, litros, metros, unidades ou outras medidas. Uma unidade cadastrada de forma incorreta pode provocar diferenças relevantes no cálculo da necessidade de materiais.
Outro campo essencial é a quantidade utilizada. É necessário determinar quanto de cada componente será consumido para produzir uma unidade ou um lote do produto.
Quando o processo possui perdas previsíveis, elas também podem ser consideradas. Certas operações geram aparas, resíduos ou diferenças naturais de rendimento. Ignorar essas perdas pode fazer com que a quantidade planejada seja inferior àquela realmente necessária.
O rendimento permite avaliar quanto produto acabado pode ser obtido a partir de determinada quantidade de matéria-prima.
Os custos dos materiais também podem estar relacionados à composição para ajudar na estimativa do custo de fabricação.
Dependendo da operação, a ficha ainda pode incluir informações relacionadas às etapas ou operações produtivas necessárias.
Exemplo simples de ficha técnica
Imagine uma indústria que fabrica um conjunto denominado Produto A. Para produzir dez unidades, a composição planejada é:
| Material | Quantidade para 10 unidades | Unidade de medida |
|---|---|---|
| Matéria-prima A | 20 | kg |
| Componente B | 10 | unidades |
| Componente C | 20 | unidades |
| Material de acabamento | 2 | litros |
Com essas informações registradas, é possível calcular proporcionalmente a quantidade necessária para diferentes volumes de produção.
Se forem planejadas 100 unidades, por exemplo, a necessidade teórica será de 200 kg da Matéria-prima A, 100 unidades do Componente B, 200 unidades do Componente C e 20 litros do material de acabamento.
Quando esse cadastro é utilizado pelo ERP para Indústrias, essas informações podem apoiar o planejamento antes da liberação da produção, evitando que os cálculos precisem ser refeitos manualmente a cada novo lote.
O que é estrutura de produtos na produção industrial?
A estrutura de produtos representa como um item fabricado é formado. Ela organiza a relação entre produto acabado, matérias-primas, componentes e, quando necessário, subconjuntos que também passam por processos de fabricação.
Esse conceito é especialmente importante em operações nas quais um produto possui diversas partes. Quanto maior a quantidade de componentes e níveis existentes, mais difícil se torna administrar essas relações utilizando controles separados.
O ERP para Indústrias pode organizar essa estrutura de maneira hierárquica, facilitando a visualização de quais itens dependem de outros e quais materiais precisam estar disponíveis para que o processo produtivo aconteça.
Como funciona a composição de um produto?
Um produto acabado pode possuir uma estrutura simples ou complexa.
Em uma estrutura simples, o item final é produzido diretamente a partir de matérias-primas e componentes. Uma cadeira, por exemplo, pode utilizar assento, encosto, pés, parafusos e materiais de acabamento.
Em outros casos, antes de chegar ao produto acabado, determinados subconjuntos precisam ser produzidos separadamente. Uma máquina pode possuir um conjunto estrutural, um conjunto elétrico e um conjunto mecânico. Cada um desses subconjuntos pode possuir sua própria composição.
Nesse cenário, existe uma relação hierárquica.
No primeiro nível está o produto acabado. Abaixo dele aparecem os subconjuntos. Em níveis posteriores podem aparecer os componentes e matérias-primas necessários para fabricar cada subconjunto.
Organizar essa relação permite compreender não apenas quais materiais fazem parte do item final, mas também como eles estão distribuídos ao longo da fabricação.
Estrutura de produto e lista de materiais
A lista de materiais também é conhecida pela sigla BOM, proveniente do termo inglês Bill of Materials. Na prática, trata-se da relação dos itens necessários para compor um produto.
Ela pode informar quais materiais serão utilizados, as respectivas quantidades e a posição desses componentes dentro da estrutura.
Não é necessário tratar o conceito de maneira excessivamente técnica para compreender sua importância. Pode-se pensar na lista de materiais como uma representação organizada de tudo aquilo que precisa estar disponível para produzir determinado item.
Se uma empresa fabrica um equipamento com 30 componentes, por exemplo, a estrutura ajuda a garantir que os 30 itens sejam considerados durante o planejamento.
Isso reduz a dependência de conhecimento informal dos colaboradores e cria uma referência padronizada para diferentes setores.
Estrutura de um nível e estrutura multinível
Na estrutura de um nível, o produto acabado está diretamente relacionado aos materiais utilizados para fabricá-lo.
Imagine o Produto X composto por:
-
2 unidades do Componente A;
-
4 unidades do Componente B;
-
1 kg da Matéria-prima C.
Todos esses itens estão diretamente associados ao produto final.
Já a estrutura multinível possui produtos intermediários ou subconjuntos.
Considere um Produto Y formado por dois subconjuntos:
-
Subconjunto A;
-
Subconjunto B.
O Subconjunto A pode ser produzido utilizando três componentes, enquanto o Subconjunto B pode utilizar outras quatro matérias-primas. Nesse caso, para calcular a necessidade completa do Produto Y, é preciso considerar tanto os subconjuntos quanto todos os materiais existentes dentro deles.
O ERP para Indústrias pode facilitar esse controle porque mantém essas relações organizadas no cadastro do produto. Quando existe necessidade de fabricar determinada quantidade do item final, a estrutura ajuda a identificar os componentes necessários em cada nível.
Por que essa estrutura precisa estar atualizada?
Uma estrutura incorreta pode provocar uma sequência de problemas em diferentes áreas da empresa.
Se um componente que deixou de ser utilizado continuar registrado, por exemplo, ele poderá aparecer como uma necessidade para a produção e influenciar o planejamento de compras.
Por outro lado, se um novo componente for incorporado ao produto e não estiver na estrutura, ele poderá não ser considerado no levantamento das necessidades. A falta desse material poderá ser percebida somente quando a ordem já estiver em execução.
Também podem surgir diferenças de custos. Se a composição registrada não representar a fabricação atual, o cálculo baseado nos componentes cadastrados não refletirá corretamente os materiais utilizados.
Por isso, alterações de projeto, substituições de materiais, mudanças de quantidade e novos subconjuntos devem ser refletidos na estrutura sempre que necessário.
Qual a diferença entre ficha técnica e estrutura de produto?
Ficha técnica e estrutura de produto são conceitos relacionados, mas possuem funções que podem ser entendidas de maneiras diferentes dentro da gestão industrial. Conhecer essa diferença facilita a organização dos cadastros e evita que informações importantes sejam tratadas como se tivessem exatamente a mesma finalidade.
De maneira geral, a ficha técnica reúne informações utilizadas para orientar a fabricação, enquanto a estrutura de produto organiza como os diferentes itens estão relacionados na composição.
Em um ERP para Indústrias, os dois controles podem trabalhar de forma integrada para fornecer uma visão mais completa daquilo que será produzido.
Ficha técnica
A ficha técnica concentra informações necessárias para fabricar determinado produto.
Ela pode registrar materiais, quantidades, unidades de medida, perdas previstas, rendimento e outras informações relacionadas ao processo.
Considere uma indústria que produz 100 unidades de determinado item. A ficha técnica pode indicar que, para essa quantidade, serão necessários 50 kg de determinada matéria-prima, 100 unidades de um componente e 200 unidades de outro.
Essa referência permite estabelecer um padrão de consumo.
Além de orientar a produção, a ficha técnica ajuda a comparar o planejamento com os resultados reais. Caso tenham sido utilizados 60 kg de uma matéria-prima quando o previsto era 50 kg, existe uma diferença que pode ser analisada.
Estrutura de produto
A estrutura está mais relacionada à forma como os componentes são organizados e conectados ao produto final.
Em produtos simples, essa estrutura pode possuir apenas um nível. Em produtos complexos, podem existir diversos níveis formados por subconjuntos.
Imagine a fabricação de um equipamento industrial. O equipamento final pode ser composto por um conjunto elétrico, um conjunto mecânico e uma estrutura externa.
O conjunto elétrico, por sua vez, pode possuir fios, conectores e outros componentes. O conjunto mecânico pode possuir engrenagens, rolamentos e eixos.
A estrutura demonstra essas relações de dependência, facilitando a visualização da composição completa.
Como as duas informações trabalham juntas?
Embora possuam funções específicas, ficha técnica e estrutura de produto são complementares.
A ficha técnica ajuda a responder quanto será utilizado. A estrutura ajuda a entender onde cada material está dentro da composição.
Juntas, essas informações permitem responder perguntas importantes para o planejamento industrial:
-
o que será utilizado na fabricação;
-
qual quantidade será necessária;
-
quais componentes fazem parte de cada conjunto;
-
quais materiais precisam estar disponíveis;
-
qual é o consumo previsto;
-
quanto a composição representa em custos.
A integração com outros controles amplia a utilidade dessas informações.
| Controle | Principal função |
|---|---|
| Ficha técnica | Registrar composição e consumo |
| Estrutura de produto | Organizar componentes e níveis |
| Estoque | Informar disponibilidade dos materiais |
| Produção | Registrar as quantidades fabricadas |
| Custos | Calcular gastos relacionados à fabricação |
Suponha que uma ordem determine a fabricação de 500 unidades. A ficha técnica informa o consumo previsto por unidade ou lote. A estrutura identifica todos os componentes relacionados. O estoque indica quanto já está disponível.
A partir desse conjunto de informações, o ERP para Indústrias pode apoiar a identificação do que existe, do que falta e daquilo que precisa ser preparado antes do início da fabricação.
Essa integração reduz a necessidade de consultar diversos controles isolados para compreender uma única ordem de produção.
Como cadastrar fichas técnicas em um ERP para Indústria?
O cadastro da ficha técnica exige atenção porque as informações registradas podem ser utilizadas como base para diversos processos posteriores. Um erro aparentemente pequeno em quantidade, unidade de medida ou identificação do componente pode se multiplicar quando grandes volumes são produzidos.
Por isso, utilizar um ERP para Indústrias não elimina a necessidade de organização dos dados. O sistema centraliza e processa as informações, mas é fundamental que a base cadastrada represente corretamente a realidade da fabricação.
Cadastre corretamente os produtos
O primeiro passo é manter um cadastro padronizado dos produtos.
Cada item deve possuir uma identificação clara, evitando códigos repetidos, descrições genéricas ou nomenclaturas que causem dúvidas entre colaboradores.
Dois produtos visualmente semelhantes, mas com composições diferentes, por exemplo, precisam ser identificados de maneira que não sejam confundidos.
A unidade de medida também deve representar corretamente a forma como o item é produzido, armazenado ou movimentado.
Padronizar esses cadastros facilita pesquisas, relatórios e utilização das informações nas ordens de produção.
Cadastre matérias-primas e componentes
Depois dos produtos, é necessário organizar os itens que fazem parte de suas composições.
Matérias-primas, embalagens, componentes, peças e subconjuntos precisam possuir cadastros consistentes.
Um cuidado importante é evitar duplicidades.
Imagine que um mesmo componente seja cadastrado como "Parafuso 10 mm", "Parafuso 10MM" e "Paraf. 10". Embora fisicamente seja o mesmo item, o sistema poderá tratá-los como três produtos diferentes.
Isso fragmenta os saldos de estoque e pode dificultar o planejamento.
Uma nomenclatura padronizada ajuda a manter a confiabilidade das informações.
Defina as quantidades utilizadas
Cada item da ficha precisa possuir uma quantidade relacionada ao volume produzido.
A empresa pode definir uma composição para uma unidade, dez unidades, cem unidades ou outro lote padrão, dependendo de como funciona a fabricação.
O mais importante é deixar clara a relação entre quantidade produzida e consumo.
Se determinado produto utiliza 500 gramas de matéria-prima por unidade, uma ordem de 100 unidades terá uma necessidade teórica de 50 kg.
Esse cálculo se torna especialmente relevante quando existem muitos componentes ou grandes volumes de ordens.
Configure perdas e rendimentos quando necessário
Nem todo material que entra em um processo industrial é integralmente convertido em produto acabado.
Corte, usinagem, mistura, pintura e diversas outras operações podem gerar perdas previsíveis.
Considere uma produção na qual seriam necessários teoricamente 10 kg de matéria-prima para fabricar 100 unidades. Se o processo normalmente possui determinada perda, planejar somente os 10 kg pode resultar em falta de material antes da conclusão do lote.
Por isso, perdas conhecidas precisam ser avaliadas e, quando aplicável ao processo, consideradas na ficha.
O mesmo vale para rendimento.
Em processos que transformam determinada quantidade de matéria-prima em um volume específico de produto acabado, conhecer o rendimento ajuda a tornar o planejamento mais realista.
O objetivo não é aumentar artificialmente as necessidades, mas aproximar o cadastro do comportamento real da produção.
Revise a ficha antes de utilizá-la na produção
Uma ficha recém-cadastrada deve ser conferida antes de passar a servir como referência para ordens de produção.
É importante verificar:
-
se todos os componentes foram incluídos;
-
se as quantidades estão corretas;
-
se as unidades de medida são adequadas;
-
se não existem itens duplicados;
-
se perdas e rendimentos estão coerentes;
-
se a estrutura corresponde à versão atual do produto.
A validação pode evitar que um erro de cadastro seja repetido em várias ordens.
Além da revisão inicial, as fichas precisam ser atualizadas sempre que houver uma mudança real na composição ou no processo produtivo.
Como o ERP utiliza a ficha técnica na ordem de produção?
Uma das principais vantagens de organizar corretamente as fichas técnicas está na possibilidade de utilizá-las durante a execução da produção. Em vez de manter o cadastro apenas como uma documentação de consulta, ele pode servir como base para determinar as necessidades relacionadas a cada ordem.
No ERP para Indústrias, a relação entre ficha técnica, estrutura de produto e ordem de produção ajuda a transformar uma quantidade planejada de produto acabado em informações sobre materiais necessários, consumo previsto e movimentações realizadas durante a fabricação.
Geração da ordem de produção
A ordem de produção registra aquilo que deverá ser fabricado.
Normalmente, ela identifica o produto, a quantidade planejada e outras informações necessárias para organizar a execução.
A partir do produto informado, sua ficha técnica pode ser utilizada para identificar os componentes relacionados à fabricação.
Se a composição estiver configurada para uma unidade, o cálculo pode ser multiplicado pela quantidade prevista na ordem. Se estiver cadastrada para um lote padrão, a necessidade será calculada conforme essa proporção.
Essa relação reduz cálculos manuais e padroniza a utilização da estrutura cadastrada.
Cálculo da necessidade de materiais
Considere que um produto consome 2 kg de determinada matéria-prima por unidade.
Caso uma ordem determine a fabricação de 500 unidades, a necessidade teórica será:
2 kg × 500 unidades = 1.000 kg.
Agora imagine um produto que possui dez tipos diferentes de componentes. Cada componente terá sua própria quantidade multiplicada pelo volume da ordem.
Quando existem estruturas multinível, o cálculo pode envolver também materiais utilizados na fabricação de subconjuntos.
Essa é uma das razões pelas quais uma ficha corretamente cadastrada é importante. Se o consumo informado estiver errado, a necessidade calculada também estará.
O ERP para Indústrias pode utilizar essas relações para facilitar a visualização dos materiais previstos para a fabricação, permitindo que a empresa compare a necessidade com sua disponibilidade.
Reserva ou separação dos materiais
Depois de identificar os materiais necessários, a empresa precisa prepará-los para a produção.
Dependendo da organização operacional adotada, os componentes podem ser separados, requisitados ou reservados antes da execução.
Essa preparação reduz o risco de iniciar uma ordem e descobrir durante o processo que um item indispensável não está disponível.
Imagine uma ordem que utiliza 15 componentes. Se 14 estiverem disponíveis e apenas um estiver em falta, toda a fabricação poderá ser afetada dependendo da função desse material.
A estrutura ajuda a visualizar essa dependência antes do início da execução.
Apontamento do consumo
Outro ponto importante é diferenciar consumo previsto de consumo efetivamente realizado.
O consumo previsto representa aquilo que deveria ser utilizado de acordo com a ficha técnica.
O consumo realizado representa aquilo que realmente foi utilizado na fabricação.
Essa comparação é importante porque a produção nem sempre acontece exatamente conforme o planejamento.
Se a ficha previa 100 kg e foram consumidos 108 kg, existe uma diferença de 8 kg. A empresa pode investigar se essa variação ocorreu por perda acima do esperado, problema de qualidade, retrabalho, erro de cadastro ou outra situação operacional.
Quando essas diferenças são acompanhadas regularmente, a ficha técnica deixa de ser apenas um padrão fixo e também passa a servir de referência para análises de eficiência.
Entrada do produto acabado
Após a conclusão da fabricação, é necessário registrar o resultado obtido.
A ordem pode ter planejado 1.000 unidades, mas a quantidade efetivamente concluída pode ser diferente devido a perdas, rejeições ou outras ocorrências.
O registro do produto acabado fecha uma etapa importante do ciclo produtivo.
Durante esse processo, matérias-primas são consumidas, componentes são utilizados e novos produtos ficam disponíveis.
Com essas informações relacionadas dentro do ERP para Indústrias, a empresa consegue manter maior conexão entre aquilo que foi planejado, os materiais utilizados e a quantidade efetivamente produzida.
Essa visão também facilita análises posteriores sobre consumo, rendimento, divergências e necessidade de revisar determinadas fichas técnicas.
Como fichas técnicas ajudam no controle de estoque e materiais?
O controle de estoque industrial depende diretamente da qualidade das informações utilizadas pela produção. Quando a empresa sabe exatamente quais matérias-primas e componentes fazem parte de cada produto, em quais quantidades eles devem ser consumidos e qual volume será fabricado, torna-se mais fácil planejar as movimentações de materiais.
As fichas técnicas exercem papel importante nesse processo porque funcionam como referência para calcular o consumo esperado. Dessa forma, o estoque deixa de ser analisado apenas pelo saldo atual e passa a ser relacionado também às necessidades de produção.
Em um ERP para Indústrias, essas informações podem ser conectadas às ordens de produção, permitindo acompanhar entradas, saídas, necessidades e diferenças entre o que estava previsto e aquilo que realmente foi utilizado.
Baixa de matérias-primas
Quando uma produção é realizada, os materiais utilizados precisam ser retirados do estoque de forma adequada. Essa movimentação representa a baixa das matérias-primas e componentes consumidos durante a fabricação.
A ficha técnica ajuda a determinar quais itens deveriam ser consumidos e em quais quantidades.
Imagine que determinado produto utilize:
-
2 kg de Matéria-prima A;
-
3 unidades do Componente B;
-
1 unidade do Componente C.
Caso sejam produzidas 100 unidades, o consumo previsto será de 200 kg da Matéria-prima A, 300 unidades do Componente B e 100 unidades do Componente C.
Essas quantidades podem servir como referência para as movimentações realizadas durante a produção.
O cuidado com esse processo é importante porque uma baixa incorreta interfere diretamente na confiabilidade do estoque. Se um componente for utilizado fisicamente, mas não registrado, o sistema poderá indicar um saldo maior do que realmente existe.
O contrário também pode acontecer. Uma quantidade superior à utilizada pode ser baixada, fazendo o sistema apresentar um estoque inferior ao físico.
Ao utilizar um ERP para Indústrias, a empresa pode relacionar as movimentações à ordem correspondente, facilitando a análise do que foi consumido em cada produção.
Disponibilidade antes de iniciar a produção
Antes de liberar uma ordem para fabricação, é importante verificar se todos os materiais necessários estão disponíveis.
Não basta analisar apenas o principal componente. Um produto pode depender de diversos itens e a falta de uma única peça pode impedir a conclusão da fabricação.
Considere um equipamento composto por 20 itens diferentes. Mesmo que 19 estejam disponíveis em quantidade suficiente, a ausência do vigésimo componente pode interromper o processo.
A ficha técnica permite conhecer antecipadamente todos os itens necessários.
Ao comparar essa necessidade com os saldos existentes, a empresa consegue identificar possíveis restrições antes de iniciar o trabalho.
Essa verificação também evita situações em que recursos, máquinas e operadores são direcionados para uma ordem que não possui materiais suficientes para ser concluída.
Identificação de falta de materiais
A estrutura de produtos também auxilia na identificação antecipada de faltas.
Quando a empresa possui uma programação de produção, é possível transformar as quantidades que serão fabricadas em necessidades de matérias-primas.
Suponha que estejam programadas 500 unidades de um produto que utiliza quatro unidades do Componente X. A necessidade total será de 2.000 unidades.
Se o estoque possuir apenas 1.400 unidades disponíveis, existe uma diferença de 600 unidades que precisa ser considerada.
Essa informação pode apoiar o planejamento de compras.
A equipe consegue identificar quais itens precisam ser adquiridos, em quais quantidades e, dependendo do planejamento, em que momento deverão estar disponíveis.
Isso evita dois extremos: comprar tarde demais e causar falta de material ou comprar muito antecipadamente e manter volumes desnecessários parados no estoque.
Estoque previsto x estoque real
A comparação entre estoque previsto e estoque real ajuda a identificar problemas que nem sempre são facilmente percebidos durante a rotina.
O estoque previsto representa aquilo que deveria existir considerando entradas, saídas e consumos registrados.
Já o estoque real corresponde à quantidade fisicamente disponível.
Quando existe diferença entre esses números, é necessário investigar sua origem.
Uma das causas pode ser o consumo acima do esperado. Se a ficha determina a utilização de 10 kg e o processo consome frequentemente 12 kg, a diferença precisa ser avaliada.
Também podem existir perdas não registradas. Materiais danificados, aparas, resíduos e descarte precisam ser considerados conforme as características da operação.
Erros de apontamento também provocam divergências. Uma produção pode consumir o material corretamente, mas registrar uma quantidade diferente no sistema.
Outro problema possível está na própria ficha técnica. Se a composição cadastrada não corresponde mais ao processo real, os cálculos realizados com base nela estarão incorretos.
Por isso, divergências de estoque podem funcionar como sinais de que processos, apontamentos ou cadastros precisam ser revisados.
Redução de excesso de estoque
Fichas técnicas também contribuem para reduzir compras sem necessidade.
Quando não existe clareza sobre o consumo futuro, a empresa pode adquirir materiais em excesso como forma de proteção contra possíveis faltas.
Esse comportamento aumenta o capital parado, ocupa espaço físico e pode elevar riscos de deterioração ou obsolescência.
Ao conhecer o consumo previsto e relacioná-lo às ordens programadas, o ERP para Indústrias permite uma visão mais estruturada da necessidade de materiais.
Assim, as compras podem considerar o que realmente será utilizado, o saldo disponível e as necessidades futuras, tornando o planejamento mais equilibrado.
Como controlar alterações e versões das fichas técnicas?
Produtos industriais podem sofrer mudanças ao longo do tempo. Componentes são substituídos, fornecedores mudam, projetos são aprimorados, quantidades são ajustadas e processos produtivos passam por melhorias.
Por esse motivo, a ficha técnica não deve ser tratada como um cadastro que é criado uma única vez e nunca mais revisado.
O controle das alterações é necessário para garantir que produção, estoque, compras e custos estejam utilizando informações compatíveis com a versão atual do produto.
Um ERP para Indústrias pode ajudar a centralizar esses registros e reduzir o risco de diferentes setores utilizarem composições divergentes.
Quando uma ficha técnica deve ser alterada?
Existem diversas situações que podem exigir atualização.
Uma delas é a mudança de fornecedor quando o novo material possui alguma característica que afeta a quantidade utilizada ou o processo produtivo.
Também pode ocorrer substituição de componente. Uma peça pode deixar de ser utilizada e ser trocada por outra com características semelhantes.
Nesse caso, manter a composição antiga poderá fazer com que a produção continue planejando um material que não faz mais parte do produto.
Outro exemplo é a alteração da quantidade utilizada.
Melhorias no processo podem reduzir o consumo de uma matéria-prima. Da mesma maneira, mudanças no projeto podem exigir uma quantidade maior.
A própria evolução do produto também pode gerar modificações. Um modelo pode receber novos componentes, perder determinadas peças ou passar por alterações de fabricação.
Sempre que uma mudança afetar a composição, o consumo ou a forma de produzir, é necessário avaliar se a ficha técnica precisa ser revisada.
Por que evitar alterações sem controle?
Modificar uma composição sem acompanhamento adequado pode gerar impactos em várias áreas.
Se uma matéria-prima for substituída, mas o estoque continuar sendo movimentado com base no item antigo, os saldos poderão perder confiabilidade.
Se uma quantidade for alterada incorretamente, o planejamento poderá indicar uma necessidade maior ou menor do que a real.
Os custos também podem ser afetados. A substituição de um componente por outro com preço diferente modifica o valor da composição.
Outro risco está na produção de lotes diferentes utilizando informações distintas sem que exista um registro claro da mudança.
Por isso, alterações devem seguir critérios definidos, principalmente quando o produto possui maior complexidade ou exigências de rastreabilidade.
Versões da estrutura de produto
O controle de versões permite identificar qual estrutura estava válida em determinado momento.
Imagine que durante os seis primeiros meses do ano um produto utilizava o Componente A. A partir de julho, ele passou a utilizar o Componente B.
Se a estrutura antiga simplesmente for apagada e substituída, pode ser difícil compreender futuramente como os lotes anteriores foram fabricados.
O histórico ajuda a identificar quais materiais estavam previstos para cada período ou versão.
Esse controle é útil em análises de custos, investigação de diferenças, avaliação de qualidade e conferência de produções anteriores.
Em produtos que passam por mudanças frequentes, essa organização se torna ainda mais relevante.
Padronização das revisões
Além da ferramenta utilizada, a indústria precisa definir um procedimento para modificar fichas técnicas.
É recomendável estabelecer quem pode solicitar uma alteração, quem deve verificar as informações e quem possui responsabilidade pela aprovação.
Uma revisão pode verificar:
-
componente que será incluído ou excluído;
-
nova quantidade;
-
unidade de medida;
-
impacto no estoque;
-
impacto nos custos;
-
validade da mudança;
-
produtos afetados.
Essa padronização reduz alterações feitas sem análise suficiente.
Também é importante definir quando a nova estrutura começará a ser utilizada. Dessa forma, ordens anteriores podem permanecer relacionadas à composição antiga enquanto novas produções seguem a versão atualizada.
Como calcular custos utilizando fichas técnicas e estrutura de produtos?
Conhecer quanto custa fabricar um produto é essencial para analisar preços, margens, eficiência e rentabilidade. Entretanto, esse cálculo depende de informações confiáveis sobre aquilo que realmente compõe o item.
As fichas técnicas e estruturas ajudam a organizar essa base porque identificam os materiais utilizados e suas respectivas quantidades.
Um ERP para Indústrias pode relacionar esses dados aos custos cadastrados, às movimentações e aos consumos registrados na produção, criando condições para comparar valores planejados e realizados.
Custo das matérias-primas
As matérias-primas podem representar uma parcela significativa do custo industrial, especialmente em empresas que trabalham com produtos compostos por diversos materiais.
O cálculo básico considera a quantidade necessária multiplicada pelo custo de cada componente.
Considere um produto formado por:
| Material | Quantidade | Custo unitário | Custo na composição |
|---|---|---|---|
| Matéria-prima A | 2 kg | R$ 10,00 | R$ 20,00 |
| Componente B | 3 un. | R$ 4,00 | R$ 12,00 |
| Componente C | 1 un. | R$ 8,00 | R$ 8,00 |
Nesse exemplo simplificado, os materiais representam R$ 40,00 por unidade produzida.
Caso qualquer quantidade esteja incorreta na ficha, o custo calculado também será afetado.
Custo previsto de produção
O custo previsto é uma estimativa realizada antes da fabricação.
A composição cadastrada fornece uma referência de quanto material deve ser utilizado.
Se uma ordem prevê 1.000 unidades e cada unidade possui R$ 40,00 em materiais, o valor teórico desses componentes será de R$ 40.000,00.
Esse cálculo ajuda a indústria a planejar recursos e analisar previamente o impacto da produção.
Dependendo da forma como a empresa estrutura seus custos, outros elementos também podem ser considerados, como operações, mão de obra e despesas relacionadas ao processo produtivo.
Custo realizado
O custo realizado considera o que realmente aconteceu durante a fabricação.
Se estavam previstos 2 kg de matéria-prima por unidade, mas foram utilizados 2,2 kg, o custo real será superior ao inicialmente calculado.
Por isso, registrar corretamente os consumos é importante.
O valor realizado permite verificar se a fabricação ocorreu dentro do padrão esperado ou se existiram desvios relevantes.
Previsto x realizado
A comparação entre os dois valores ajuda a identificar causas de variações.
Um consumo maior de matéria-prima pode indicar perda, desperdício, retrabalho ou problema no processo.
Também pode ocorrer substituição de componentes. Mesmo que a quantidade permaneça igual, o novo material pode possuir custo diferente.
Alterações de preço também interferem. Um produto cuja ficha permaneceu igual pode se tornar mais caro devido ao aumento no custo de aquisição de determinada matéria-prima.
Outro ponto são os desperdícios não previstos. Se perdas reais forem superiores àquelas consideradas na ficha, o custo realizado tenderá a crescer.
A análise dessas diferenças permite identificar se o desvio é pontual ou recorrente.
Atualização dos custos
Trabalhar com custos desatualizados pode gerar uma percepção incorreta sobre a rentabilidade dos produtos.
Se uma matéria-prima sofreu aumento significativo e o cadastro continua utilizando um valor antigo, a empresa poderá acreditar que possui uma margem maior do que realmente possui.
Por isso, as informações de custo devem acompanhar as mudanças relevantes da operação.
Com um ERP para Indústrias, a empresa pode utilizar dados centralizados para tornar as análises mais consistentes e compreender melhor como composição, consumo e preços dos materiais influenciam o resultado da fabricação.
Quais erros evitar no controle de fichas técnicas e estruturas?
A qualidade das informações cadastradas influencia diretamente os controles posteriores. Uma estrutura incorreta pode gerar erros de necessidade de materiais, movimentação de estoque, custos e planejamento de compras.
Por isso, além de cadastrar as fichas, a empresa precisa revisar continuamente a qualidade das informações utilizadas.
Cadastrar a mesma matéria-prima mais de uma vez
Cadastros duplicados dividem o histórico e o saldo de um mesmo material.
Se metade do estoque estiver registrada em um código e a outra metade em outro, a empresa poderá interpretar que existe falta mesmo possuindo quantidade física suficiente.
Padronizar nomes, códigos e características reduz esse problema.
Utilizar unidades de medida incorretas
Confundir quilos, gramas, litros, metros ou unidades pode gerar diferenças expressivas.
Uma quantidade de 1 kg não pode ser tratada da mesma forma que 1 grama.
É necessário garantir que a unidade da ficha corresponda à forma como o material é controlado ou que as conversões estejam corretamente definidas.
Não atualizar componentes substituídos
Quando uma peça deixa de fazer parte do produto, a estrutura precisa refletir essa alteração.
Caso contrário, o item antigo poderá continuar aparecendo como necessidade de produção.
Ao mesmo tempo, o novo componente poderá não ser planejado adequadamente.
Ignorar perdas de produção
Alguns processos naturalmente possuem perda de material.
Ignorar esse comportamento pode resultar em necessidades inferiores às reais.
Entretanto, a perda cadastrada deve ser baseada em informações coerentes. Utilizar percentuais excessivos apenas para criar uma margem de segurança também pode gerar estoque desnecessário.
Cadastrar quantidades erradas
Um erro decimal pode transformar um consumo de 0,5 kg em 5 kg.
Quando o volume produzido é elevado, pequenas falhas de cadastro podem causar grandes distorções.
Por isso, quantidades devem ser verificadas antes da liberação da ficha.
Modificar estruturas sem controle
Alterações sem histórico dificultam descobrir por que determinada produção utilizou materiais diferentes.
Sempre que possível, é importante manter um procedimento que permita identificar quando e por que uma composição foi modificada.
Não comparar consumo previsto e realizado
Uma ficha pode parecer correta no cadastro e ainda assim não representar adequadamente a realidade.
A comparação entre o previsto e o realizado ajuda a identificar essa situação.
Se determinada matéria-prima apresenta consumo superior ao padrão em praticamente todas as ordens, é necessário analisar se existe problema no processo ou se a ficha está desatualizada.
Manter fichas técnicas fora do sistema
Quando a composição é mantida apenas em arquivos separados, diferentes setores podem trabalhar com versões distintas.
A produção pode consultar uma planilha, as compras podem utilizar outra informação e o estoque pode não ter acesso às alterações recentes.
Centralizar os dados no ERP para Indústrias reduz essa fragmentação e cria uma fonte comum para os processos relacionados à fabricação.
Como escolher um ERP para controlar fichas técnicas e estrutura de produtos?
A escolha de um sistema para uma indústria deve considerar o funcionamento real da produção. Não basta verificar se existe um campo chamado ficha técnica. É necessário entender como essa informação será utilizada ao longo do processo.
Um ERP para Indústrias adequado ao controle de estruturas deve permitir que os dados cadastrados contribuam para estoque, materiais, ordens de produção, custos e análises gerenciais.
Por isso, avaliar alguns pontos antes da decisão ajuda a identificar se a solução acompanha a complexidade da operação.
Cadastro de fichas técnicas
O primeiro item do checklist é verificar como as composições são cadastradas.
O sistema precisa permitir registrar os materiais necessários e suas respectivas quantidades de maneira organizada.
Também é importante observar se o cadastro possui informações compatíveis com as necessidades da empresa, como unidades de medida, perdas, rendimentos e demais características relevantes.
Estruturas multinível
Empresas que fabricam produtos compostos por subconjuntos precisam avaliar esse recurso com atenção.
Uma estrutura multinível deve permitir relacionar o produto acabado aos produtos intermediários e estes aos seus próprios componentes.
Sem esse recurso, estruturas complexas podem exigir controles paralelos.
Integração com estoque
A ficha técnica deve estar relacionada ao controle dos materiais.
Ao fabricar um item, os componentes utilizados precisam gerar movimentações coerentes no estoque.
Também é importante conseguir verificar a disponibilidade dos itens antes do início da fabricação.
Essa conexão ajuda a reduzir divergências e melhora a visão sobre os materiais necessários.
Integração com compras
Produção e compras possuem uma relação direta.
Se determinado material será necessário e o saldo disponível é insuficiente, essa informação precisa contribuir para o planejamento de abastecimento.
Ao avaliar um ERP para Indústrias, é importante verificar como as necessidades produtivas podem ser utilizadas pelo setor responsável pelas aquisições.
Isso ajuda a evitar compras baseadas apenas em percepção ou em análises isoladas do estoque.
Ordens de produção
As estruturas cadastradas precisam ter utilidade prática durante a fabricação.
Verifique se as ordens utilizam as fichas para calcular quantidades, listar componentes, orientar separação e registrar os consumos.
Quanto maior a integração entre cadastro e execução, menor tende a ser a necessidade de duplicar informações manualmente.
Controle de custos
O sistema também deve permitir compreender como os materiais da composição influenciam o custo do produto.
É interessante avaliar a possibilidade de comparar custos previstos e realizados.
Essa análise permite identificar produtos ou ordens em que o consumo ou o valor dos materiais ultrapassou o planejamento.
Rastreabilidade das informações
Históricos são importantes para compreender o que aconteceu em produções anteriores.
É recomendável avaliar se é possível consultar ordens, quantidades fabricadas, materiais utilizados, movimentações e demais informações relacionadas.
Quanto maior a necessidade de controle da indústria, mais relevante se torna a capacidade de recuperar informações anteriores.
Relatórios e indicadores
Por fim, os dados precisam ser transformados em informações úteis para análise.
Relatórios podem ajudar a acompanhar consumo de materiais, diferenças de produção, custos, necessidades e movimentações.
Antes de escolher o sistema, vale verificar se as informações são apresentadas de maneira clara e se atendem às decisões realizadas pelos responsáveis pela operação.
O objetivo é utilizar o ERP para Indústrias não apenas como um local para armazenar fichas técnicas, mas como uma ferramenta que conecte essas estruturas às demais etapas da gestão industrial.
Conclusão
Manter fichas técnicas e estruturas de produtos organizadas é fundamental para garantir maior controle sobre a fabricação. Essas informações servem como base para determinar quais matérias-primas e componentes são necessários, quais quantidades devem ser consumidas e como cada item participa da composição do produto acabado.
A ficha técnica permite estabelecer um padrão para a produção, reunindo dados como materiais utilizados, quantidades, unidades de medida, perdas previstas e rendimentos. Já a estrutura de produtos ajuda a visualizar a relação entre produto acabado, componentes, matérias-primas e subconjuntos, principalmente quando a fabricação possui diferentes níveis de composição.
Quando esses cadastros estão atualizados, a indústria consegue utilizar as mesmas informações em diferentes processos. Produção, estoque, compras e custos passam a trabalhar a partir de uma base mais consistente, reduzindo divergências causadas por planilhas separadas, registros duplicados ou versões desatualizadas das fichas.
O controle também contribui para melhorar o planejamento de materiais. Antes de liberar uma ordem de produção, a empresa pode verificar o que será necessário, comparar as quantidades com os saldos disponíveis e identificar antecipadamente possíveis faltas. Dessa maneira, o setor de compras consegue planejar aquisições de acordo com necessidades mais próximas da realidade.
Outro benefício está no acompanhamento dos custos. Conhecendo a composição de cada produto, torna-se mais fácil estimar quanto será gasto com matérias-primas e comparar posteriormente o consumo previsto com aquilo que realmente foi utilizado. Diferenças recorrentes podem indicar desperdícios, perdas superiores ao planejado, erros de apontamento ou necessidade de atualizar a própria ficha técnica.
Entre os principais ganhos proporcionados por uma gestão organizada estão maior precisão no consumo de materiais, redução de erros operacionais, estoque mais confiável, melhor planejamento de compras, custos mais próximos da realidade e maior previsibilidade sobre a produção.
Para alcançar esses resultados, entretanto, não basta apenas cadastrar uma estrutura e deixá-la armazenada. As informações precisam acompanhar mudanças de componentes, fornecedores, processos, quantidades e versões dos produtos.
Nesse contexto, o ERP para Indústrias pode centralizar os dados e utilizá-los ao longo de diferentes etapas da fabricação. Quando fichas técnicas, estrutura de produtos, estoque, compras, custos e ordens de produção trabalham de forma integrada, a indústria passa a ter uma visão mais clara dos materiais necessários e dos resultados obtidos, criando uma base mais confiável para planejar, produzir e tomar decisões.
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